UMA 2013 - A nona




UMA 2013
Muito gostava eu de vos contar o que ontem vivi naquele interminável areal entre Melides e Tróia, mas só sei que irá haver uma grande diferença entre o que aconteceu e aquilo que agora me ocorrer e que até pode nem ser o mais importante. E antes que me esqueça e me deixe embalar por outras emoções, digo já : Foi dura. Muito dura. A mais dura das nove que tenho na memória !
Com 460 inscritos, numa demonstração que esta Prova vai crescendo ano após ano,  logo cedo, começou, em Melides, a azáfama habitual: levantar o dorsal, receber a garrafa de água (para irmos hidratando, como convém) uma barra e um gel energéticos, uma maçã. Procurar, depois um local, para nos prepararmos para a “viagem”: protector solar (àquela hora nada faz lembrar a necessidade disso) bem aplicado (escaparam-me sítios que, à chegada, foram logo identificados) vestir o equipamento e verificação da trouxa (80% era para ir no carro!). Levei uma bolsa com a barra energética oferecida,  5 géis, marmelada e uma banana; e levei também um cinto com 3 frasquinhos de bebida isotónica. Na mão levava um boião do 0,5l de água.  ( Só viria a gastar a barra, um gel e a água ).
Umas fotografias com amigos, ouvir as recomendações da organização e encaminharmo-nos para o pórtico da partida. Por laracha, digo que não se viu ninguém a fazer aquecimento.
Tiro da partida dado pela antiga glória do nosso Atletismo, Carlos Lopes e começa o calvário que já se esperava nos quilómetros iniciais : areia solta. O mar não tinha descido, mas isso, já não era de estranhar, pois a maré vazia seria dali a umas horas. Passados  5 ou 6 km já teria deixado areia compacta para pisarmos, logo, mandava a prudência, não batalhar muito contra a areia difícil, para que quando ela colaborasse mais, ainda houvesse pernas para poder correr. O problema é que os quilómetros foram passando e… tudo na mesma: não só a água teimava em se atravessar no caminho, como nos obrigava a subir e descer um ondulado de dunas de areia fofa, que criou ao longo do areal. E assim foi até cerca dos 16 Km. Por mais contido que quisesse ser nos km iniciais, o facto de ter de fazer o triplo do previsto, viria a manifestar-se lá mais para a frente.
Às tantas vejo um atleta sair da linha da água, subir para a areia seca e encaminhar-se para a encosta da arriba, e pensei cá para comigo :-“aquele vai aliviar”. Depois outro, outro e mais outro. Mau! Tantos aflitos! E começo a vê-los a correr junto à base da arriba e verifico que os pés deles não se afundam. Ah ele é isso!? Encaminho-me também para lá e durante, cerca de 2km segui-lhes o exemplo. Corria-se bem. Pois, mas aquilo acabou-se e o remédio era retomar a linha da água.  Começava a sentir os pés com muita areia na parte da frente e, antes que começasse a incomodar muito, resolvi tirar os ténis e correr de peúgas. Gostei, mas a chatice era trazer os sapatos nas mãos.  Resolvi atá-los ao cinto, onde também já tinha encaixado o boião da água. Aquele balançar também era incomodativo, mas, pelo menos deixava-me as mãos livres.
Lembrava-me que, na apresentação inicial, nos falaram de um pórtico Vitalis instalado na praia do Carvalhal, local do abastecimento dos 28,5Km . Depois de muito prolongar a vista pelo areal, lá consegui ver um ponto minúsculo, que sobressaía de uma mancha mais escurecida da areia que deveria ser a desejada Praia do Carvalhal. Continuando a correr, desviava de lá os olhos, para mais tarde ver se notava alguma diferença no tamanho do pórtico. Nada. Passa o meu colega Carlos Souto que diz: “Carvalhal à vista!” “ - à vista está, respondi,  mas não se nota é a aproximação!”  Lá continuei, no meu ritmo, que me parecia razoável.  Pensei em utilizar a mesma estratégia do ano passado. Parar a seguir ao Carvalhal, mandar um mergulho e continuar. Só que, desta vez, tinha que voltar a calçar os ténis, quer porque estava farto de os levar à cintura, quer porque a areia entretanto mais firme, começava a magoar os pés. Recebo as duas garrafas de água, paro, tiro o cinto, os óculos e o chapéu e lá vou eu à água. Não me demorei. Demorei foi a calçar os ténis. Muitos foram os que passaram naqueles  6 ou 7 minutos (Zé Carlos Melo, Tigre, Analice, Carlos Freire). Bebi uma das garrafas e levei a outra no cinto. Retomo a corrida e senti-me mais fresco, com um andamento mais vivo. Aproximo-me do Nelson Alegre. Subitamente, começo a ficar nauseado e tive de me pôr a andar até que a indisposição passasse. Mas primeiro passou a Graça Roldão, que simpaticamente me perguntou se estava bem. Seria uma questão de tempo. Novamente a correr e novamente nauseado. Paro mais uma vez e recomeço.  Chego-me junto da Analice aos 37,5 e cheguei a passá-la, mas foi sol de pouca dura. Segue-se aquela sequência de curvas para a direita, mas a definitiva, aquela de onde haveríamos de ver o pórtico da chegada, ainda que pequeno, nunca mais aparecia. O meu colega e amigo Nelson Mota, que estava ali a ver o pessoal a passar, ofereceu-me uma água fresquinha, mas eu não aceitei – não com o receio de ser desclassificado, que isto é assunto de outra conversa – pois ainda tinha. Mais à frente, o Tó Jó vem também ao nosso encontro e a perguntar :”-O que é que se passa hoje, que o pessoal vem todo estoirado!??”. Eu só sabia dizer :-“Isto está terrível!”   Vem a Fernanda Parro, à procura do Luis, que me dirige também umas palavrinhas de incentivo. E eu pumba, pumba, pumba, ainda ganhei alguns lugares. Finalmente, a última curva. Agora era aguentar o barco, respirar e esperar . Ainda pensei em ir acelerando para chegar a par com a grande Analice, que estava a 20m de mim, mas achei que era melhor não servir de emplastro a esta ultra-lenda por quem todos têm a maior das admirações. Gostei de ouvir os merecidos aplausos que lhe dedicaram. A seguir foi a minha vez: tiro o chapéu e os óculos para a fotografia, mas já vi que fiz mal : pelo menos disfarçava um bocado a carinha com que cheguei, agravada ainda com a decepção do tempo que fiz: 5,44,40! Apesar dos contratempos, estava convencido que andaria pelas 5,10/5,15. Ah…esqueci-me de dizer que não uso relógio. Mais 50 minutos que em 2012!
Sentei-me, bebi um isotónico que o amigo Didier me foi buscar e esperei uns minutos para recuperar as condições. Fruta fresquinha, um guaraná e relax durante um bocado, antes de ir levantar o saco com as trapalhadas que não eram precisas e que tinha levado para Melides.
E pergunto eu agora : Quem é  que, no final da Prova, foi dançar a Zumba?!


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