O saco da discórdia

Tenho para mim – e, se calhar, erradamente – que o valor da taxa de inscrição numa prova se destina a assegurar o direito de participar e, assim, habilitar-se aos prémios em disputa, consoante o desempenho de cada um. Há prémios escalonados para os que melhor se classificarem e há também os chamados prémios de participação, que são para todos.


Bem sei que as grandes provas dão o chamado kit do corredor no acto do levantamento do dorsal, isto é, o corredor recebe logo aquilo que lhe está destinado independentemente de correr ou de terminar ou não a prova. Bastou inscrever-se. A Organização entendeu que isso seria o bastante.

Talvez contrariando a corrente dominante, acho que isto está mal.

Está mal porque o que o atleta paga é o direito de participar na prova. Não está a comprar os prémios, cujo valor é – no meu entendimento - indissociável da conclusão da prova. Poderá haver quem diga que isso não são prémios, são apenas símbolos da prova. Sim… mas isso implicará que haja outras coisas (prémios?) à chegada.

Mas se a Organização não for dessas que podem oferecer muitas coisas, terá ou não o direito de escolher o momento que entender mais adequado para entregar aquilo que conseguiu ?

É que existem corredores que não distinguem o poderio financeiro de grandes Organizações, da pacatez de meios de pequenas Organizações e então, mesmo tendo desistido da prova, criam embaraços, exigindo aos colaboradores aquilo que estava destinado apenas aos que finalizassem.

-“Paguei a inscrição, tenho direito ao saco!” – e dali, da zona de chegada, não arredam pé enquanto não for satisfeita a exigência.

Há quem perceba este ponto de vista, mas a mim… custa-me a encaixar.

E tudo isto por causa da moda (que já é antiga, bem sei) de dar o saco com o dorsal.

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