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| De Sintra |
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| Até onde a Terra acaba... |
Meus amigos, lamentavelmente, parece que não há nada a fazer.
Uma decisão política que não nos agrada mas que devemos respeitar. Afinal, tem sido dito repetidas vezes que, para nós, os que corremos, a Corrida é a mais importante das coisas secundárias. Para quem não corre será apenas uma coisa secundária. E se tivermos de nos pôr na pele de quem tem fortes restrições orçamentais, teremos de compreender que outras opções poderão afigurar-se prioritárias.
É verdade que foi ignorada a proposta da retirada total ou quase total dos custos (porque haverá uma imagem a defender e a provável desordem -principalmente no Cabo da Roca - iria afectá-la negativamente). Também a reformulação da prova por forma a torná-la menos dependente de complicada logística, não foi atempadamente estudada. E, por muito que nos custe, o futuro da prova deverá passar por aí.
É com a tristeza de quem conhece as origens deste Grande Prémio Fim da Europa e participou em 20 das 22 edições realizadas; de quem sempre disse que esta era a Prova mais bonita que Sintra poderia apresentar; de quem viu o brilho nos olhos daqueles que se sentiram orgulhosos por tê-la colocado num merecido lugar de honra, que vos trago a má nova de que as diligências se revelaram infrutíferas e se confirma o seu cancelamento.
Bem sei que não falta por aí gente disposta a fazer o percurso com ou sem o beneplácito da CMS. Também haverá quem o faça por protesto. Mas gostar de correr e gostar do local onde se corre é razão bastante para que ali nos concentremos a desfrutar da Corrida e a desfrutar daquela deslumbrante paisagem. Façamos deste gesto um tributo ao desporto pedestre e ao romantismo de Sintra. Sem rancores nem ressentimentos que criem crispações. Compreendamos que, a um homem do Desporto como é o Prof. Seara, também não terá sido fácil tomar uma decisão que penaliza o Atletismo sintrense.
Já todos ouviram falar na “dor fantasma dos amputados” em que o braço já lá não está, mas o doente sente dores horríveis na mão. Isto porque o membro “deixou” a sua representação no cérebro e essa continua lá, processando as sensações da mesma maneira.
Mal comparando, o cancelamento do GP Fim da Europa, resulta em algo idêntico: a prova não está lá, mas todos a sentem como se estivesse e querem aparecer em massa.
Mas também o caso pode ser visto ao contrário: a Prova continua mas a Câmara é que deixou de senti-la. Temporariamente, por certo.


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