A Raquel e o Martim



Ela é uma historiadora de sucesso, que tem não sei quantos livros publicados, resmas de artigos científicos, é convidada para tudo quanto seja conferências, encontros científicos, colóquios internacionais, em suma, um currículo de reconhecido mérito.

Ele é um puto de 16 anos, que teve uma ideia de negócio e pô-la em prática.

Ela questiona o miúdo sobre os salários miseráveis de quem fazia os produtos que ele negociava e ele, sem hesitação, desarmou-a com um argumento que, mesmo discutível, bastou para as circunstâncias. Nem lhe assistia a ele, responder pelas injustiças sociais que por aí grassam.

O puto virou herói e a investigadora, vilã.  

Vêm depois, procurando reabilitar a imagem humanista da senhora professora, dizer que o garoto afinal era aldrabão, que tinha um pensamento igualzinho ao dos administradores dos grandes hipermercados (que dizem que é melhor ganhar pouco do que estar no desemprego e com esse argumento, continuam a pagar ordenados mínimos e a escapar aos impostos sobre os enormes lucros).

Onde é que isto já vai!!!

Alguém estaria à espera que o puto, se puder comprar a 10, vai comprar a 20, porque este preço é que paga salários condignos e direitos sociais? Essa função, penso eu,  não será do indivíduo, mas do Estado.

Este episódio fez reacender a luta entre aqueles que se aproveitam da mão-de-obra barata para ter lucro; aqueles que pretendem ganhar mais porque geram riqueza; aqueles que pagam pouco porque o negócio não dá para pagar mais e aqueles que sabendo que o negócio não dá, continuam a exigir salários mais dignos.

Ora, se tirarmos os primeiros e os últimos deste "filme", não se pode dizer que haja injustiça nos que ficam no meio.

Agora, se houver quem consiga fazer contas de outra maneira, faça favor.


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