"As Árvores Morrem de Pé"





Distante e perdida na serra, juntamente com meia dúzia de irmãs, fomos encontrá-la assim, ao caír de um dia soalheiro de Dezembro. Estava velha e seca.  Mas continuava ali, no sítio que sempre foi o dela, à espera que alguém se acercasse. Acercámo-nos, guiados por um amigo que a conhecia bem, e contemplámo-la e ouvimos o que ela nos disse, sem serem precisos sons, sem serem precisos outros sinais para além daquela aura que nos transporta no tempo.  Falava das mágoas de quem foi abandonada, depois de ter sido, anos a fio, fonte de rendimento e símbolo de vitalidade e de respeito.  
Fazia muitos anos que as mãos que cuidavam dela deixaram de o poder fazer e a diáspora da prole, em busca de uma vida mais próspera (?), ditou o abandono  daquele hectare de barranco. Mas não o seu esquecimento.

Sem folhas, sem cortiça… sem vida, a sua silhueta, embora triste, continua a romper o céu da Serra do Caldeirão. De pé. A velha árvore permanece de pé.

Isto, no dia em que Mandela nos deixou.

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