28ª Maratona de Sevilha


Se eu juntasse tudo o que já escrevi sobre as minhas várias participações (13) nesta maratona, daria um enorme relambório, que muito poucos teriam paciência para ler. Além disso, muito do conteúdo soaria a repetido, não por vontade, mas porque a cidade é a mesma, a distância a percorrer, também, o encantamento, idem idem.


Numa altura em que se vai assistindo aos efeitos da mão pesada da troika, este ano, Sevilha, quanto a mim, deu alguns sinais de resistência. Sacrificou a contratação de atletas de elite, capazes de tempos invejáveis, mas não descuidou um tratamento de “proximidade” com os atletas de pelotão. Aumentou a participação, com um novo record de atletas chegados (4349) com a particularidade de não se terem classificado todos os que excederam o tempo oficial de 5h. Aqui, a meu ver, a organização não esteve bem, apesar de tal medida vir contemplada no regulamento, mas também em anos anteriores vinha e não se aplicou com o mesmo rigor. É que foram ainda muitos, aqueles que completaram a prova para além do tempo limite e que, apesar da medalha ao peito, não figuram na classificação. Outra coisa que acho ter sido desnecessária, foi o atraso da hora da partida das 9 para as 9,30! Em meu entender, isso só serviu para complicar a hora do almoço, mas talvez haja alguma vantagem que não consigo vislumbrar. Voto no regresso às 9h.

Mas, adiante. A entrega dos dorsais e do kit do corredor esteve bastante bem orientada, conseguindo-se resolver em poucos minutos, ao contrário do que acontecia dantes. A taxa de inscrição (21€) continua a ser uma das mais baixas que por aí se praticam, e, diga-se, que esta Prova tem tudo para justificar uma taxa equivalente a muitas que oferecem menos condições. Mas ainda bem que assim é.

Continuarei, enquanto puder, a marcar presença nesta Maratona em que, cada vez mais portugueses participam, sendo inclusive aquela que é escolhida para a estreia de muitos na distância. Está de parabéns a Organização.

Quanto à minha Prova, foi feita dentro das minhas expectativas. Sabia que não tinha treinado bem, que tinha estado constipado na semana que a antecedeu, por isso, não poderia apontar para grande marca. Entre 3,45 e 3,50 já me deixava satisfeito. Mas, como sempre, a grande avaliação seria feita à passagem da Meia.

Estava um dia limpo, sem vento, mas um bocadinho fresco. Entregue o saco da roupa, lá fomos para o aquecimento (pouco, pois teríamos tempo de aquecer ao longo da prova). Estava, na altura, com o Pedro Burguette e o Valter Cunha, meus amigos e colegas da ACB, que esteve representada por nós mais o Carlos Fonseca. Parecia que estávamos em Portugal, tantos eram os atletas portugueses com que nos íamos cruzando.

Dado o tiro da partida, a enorme avalanche humana , bem compacta, é “vomitada” pelo túnel sul do estádio, onde se ouvia o arrepiante som das vozes dos atletas a marcar o ritmo das passadas no chão. Um efeito bonito e moralizador para a empreitada que estava a iniciar-se.

Por volta dos 4Km encontro o Luis Parro e o Paulo Pires, com quem andei alguns kms, num passo confortável, mas que me “assustou” quando soube que o balão das 3,30 ainda vinha atrás de nós. O Paulo dizia que era o balão que estava mal e isso, de certa forma, tranquilizou-me. Mas ainda no Parque de Alamillo, uma árvore “chamou” por mim e disse ao Paulo para seguir que já o apanhava. É o apanhas…! O balão das 3,30 é que, entretanto, me apanhou e eu nem sequer tentei vir com ele e assisti, sem preocupação, ao seu afastamento lá para a frente. Por volta dos 12Km deixei de o ver.

Levava comigo 3 geis. Muitas vezes tenho chegado com eles ao final sem lhes tocar, por receio que me caiam mal no estômago. Mas também acontecia que só tomava o primeiro gel após os 23 /24 Km. Desta vez pensei em tomar o 1º entre os 10 e os 15, mesmo antes de sentir qualquer decréscimo nas forças, pois assim, iria adaptando o estômago. Também achei melhor não tomá-lo todo de uma vez, mas aos poucos, durante 1 ou 2 km. Gostei da forma como reagi. Passei à Meia com 1,48 e não me pareceu ir muito mal embora esse tempo fosse demasiado rápido. Ah… só aí soube a que ritmo ia, pois não levava relógio. Vi que não poderia aguentar-me por muito mais tempo. Havia que reduzir ligeiramente, por vontade própria, para não ter de reduzir por já não poder.

Por volta dos 27Km passa o Pedro Amorim e pouco depois a Graça Roldão. Eu continuei num ritmo mais “maneirinho” a tentar preparar-me para aquela enorme recta dos 30Km, que acabei por passar bem. Em dificuldade vinha o José Neto (que estava constipado) e veio mais devagar. Agora era ir gerindo a coisa para chegar bem ao fim. Ao contrário do que já me tem acontecido noutras vezes, nunca tive aquela vontade irresistível de me pôr a passo. Mantive-me em prova sempre e acho que os 2 últimos km foram mais rápidos. Entro no estádio e aquela meia volta já é de consagração. Avisto o relógio do pórtico, que estava quase a passar para as 3,45. Não valia a pena sprintar para que o 4 não fosse substituído pelo 5. Chego rodeado por vários corredores e sou creditado com o tempo de 3,45,16, sendo o meu tempo real de 3,44,36.

Com uma marca aquém da que desejaria mas bem melhor da que estava à espera nas actuais circunstâncias, sinto-me feliz por ter podido concluir mais uma edição desta excelente, fantástica e apelativa Maratona de Sevilha.

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