Foto ( A caminho da Torre de Belém) tirada pelo Fábio Dias Pio
Tinha pensado fazer um breve texto, tipo “estou muito cansado, fiz o tempo de 3,48 e tal e amanhã falo sobre a prova”.
Mas, pensando melhor, acho que se fizer já uma apreciação desta 25ª Maratona de Lisboa, enquanto as coisas estão fresquinhas, é capaz de haver um resultado mais fiel do que se passou, nesta manhã que se previa fria, com chuva e vento e que acabou por apresentar apenas o vento (e forte, que até fazia andar de lado), como companheiro dos atletas.
Parti determinado a chegar à meia, na casa da 1,45, para não dar o estoiro que dei no Porto.
À minha frente ia o marca-passo das 3,30, com uma bandeirola alta, mas, estranhamente, afastou-se muito, que até o perdemos de vista ao cabo de 8 Km. Mas nós ( eu e um grupo da minha equipa ACB, que também confirmou que o marcador ia depressa demais.
12KM: 1,00,00. Tudo certinho, mas à Meia, já levava 1,46! É verdade que o vento estava quase sempre de caras e talvez isso pudesse ter atrapalhado as contas. Na ida até à Torre de Belém, onde seria o retorno, acabo por ser apanhado por um grupo que tinha deixado para trás e comecei logo a recear que qualquer coisa não estaria a correr bem. Passa o António Almeida que fez alguns km comigo, mas eu comecei a abrandar e ele fez muito bem em ir embora.
Fui metendo uns géis ( não sei se é assim que se diz, pois gosto mais de utilizar a palavra no singular, por via das dúvidas) para ver se ganhava alguma energia, mas o resultado não se fazia sentir. Alcanço de novo o Nuno Coelho, da ACB, que tinha parado no abastecimento dos 30Km a “matar a fome” que lhe deu e veio comigo até aos 35, altura em que resolveu abastecer novamente, com paragem e não mais o vi. Lá estava o Jorge Branco no Cais do Sodré (já estava na 1ª passagem, a dar o seu importante incentivo.
As baterias já estavam apontadas para a temível Almirante Reis, entre os 37 e os 40Km. As forças iam faltando e a vontade de caminhar era muita, como, aliás, muitos faziam, mas eu, embora com uma passada miserável, fui adiando esse momento até que achei que já não valia a pena. À entrada do Estádio lá estava muita gente amiga a dar os últimos aplausos, e que transformavam aquela vergonhosa passada, numa vitória por concluir a minha 39ª Maratona. O tempo que fiz, ainda não sei bem ao certo, mas andou pelas 3,48, mais um minuto que no ano passado, em que caminhei e fiz paragem para “alívio da tripa” naquela subida medonha que este ano foi substituída pela Almirante Reis.
Tirei, uma grande conclusão. Tenho falado muito na necessidade de uma gestão do tempo até à meia, mas o tempo para que apontamos só tem alguma possibilidade de ser atingido, se o treino, o descanso, a alimentação e tudo o resto, tenham sido adequados. No meu caso, para além de uma preparação muito atabalhoada (fiei-me ainda no que fiz para a Maratona do Porto), tive uma véspera da Maratona bastante atribulada, tendo comido apenas uma torrada com leite de manhã, “passei o” almoço e só à noite, em casa, comi umas massas feitas à pressa. Desculpas ? Não sei se são desculpas, mas apenas as conclusões que tirei deste meu “insucesso” que, é relativo. Digo sempre que o importante é desfrutar, mas aqueles últimos km não foram de desfrute, mas de absoluto sacrifício para chegar à meta instalada no interior do Estádio 1º de Maio.
No próximo texto falarei dos “prós e contras” que encontrei nesta 25ªedição.
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